quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Os homens se alimentam de homens"


Foto: Gustavo Nova

Não me iludo mais...Estou cheia de tudo isso.
A Grécia e suas fantasmagorias
Metafísicas já não fazem mais sentido.
Estou cansada da Europa,
Estou farta da América,
Estou enjoada da globalização
O oriente médio está em extinção.
Os homens se alimentam de homens,
Os tentáculos da economia envenenaram a civilização,
O mercado é o estômago da nossa falta de humanismo,
O mundo humano é uma parasita a procura de hospedeiro.
Consumiremos o planeta em nome do caos
Festejaremos a sua destruição em nome da liberdade.
Já não tenho mais forças, Sucumbirei diante do “progresso”,
Não seguirei rumo em vão, não seguirei, Irei remar contra a maré.
O novo mundo promete o extermínio do homem,
A liberdade é a lei do mais voraz
Das bestas feras eu sou rainha,
Com liberdade é fácil ser Deus,
É fácil ser livre,
É fácil escravizar com liberdade,
Todos querem se libertar...
Vamos celebrar a liberdade dos mortos no Iraque,
Vamos tomar xarope assistindo TV,
Vamos comemorar os diabéticos,
Vamos festejar a tela de sucessos,
Vamos aplaudir os anglo-saxões,
Vamos consumir o besterol americano,
Vamos, venham comigo,
Eu levarei vocês para a Disneylândia,
O hospício da humanidade é belo,
Lá tem muitas pessoas e ratos,
Eu os vi tomando remédio na veia,
Eu já não me iludo mais, não me iludo mais...


De Teresópolis; Rachel Claussen

"O trabalho danifica o homem."

Foto: Gustavo Nova



Como falava Adilson Maguila "O trabalho danifica o homem."

O desprovido me disse o mesmo, me acusando ser culpado, de seu estado delicado. De supostamente não ter vivido...
Há, sim; apenas mais um desprovido, muitos pensam. Afinal, tal qual um mundo imenso, não há de ser o único pelas ruas.
Sem vergonha, muitos acham. Mas, ao analisar o fato, de se abrigar diante um 'pixe, que diz justamente trabalhe; em termos, concordo.
Do outro lado da cidade, a não suplicar piedade, alguns catam lixo. Mas não o comem ou se cobrem como este em especial. Eles o vendem, e tem por si uma amarga e injusta; mas, uma vida.
O desprovido me acusou de aproveitar, de seu estado p'ra em glórias me fartar... Escrevendo suas cômicas desgraças. Meio ao banco e seus goles de cachaça.
Mas, vos digo que não; escrevo hoje, mesmo que em vão, como um fecho de suma esperança.
De não velo mais em uma praça... Vê-lo sim em alegria, sociável e com família.

Pois se o trabalho danifica o homem, a falta dele o faz deixar de ser.


Zé Roberto Diniz & Gustavo Nova.